Análise do Grupo D

"Grupo da morte" pode ser um clichê já gasto, mas se encaixa com justiça para esse grupo. A Alemanha — que divide com o Brasil o recorde de sete participações em finais da Copa do Mundo da FIFA — tenta ofuscar a preparação dos companheiros de chave, fazendo valer essa tradição de terminar entre os primeiros colocados. Os semifinalistas de 2006 garantiram a vaga com autoridade, mas não foram os únicos a tomar o caminho mais rápido até a África do Sul. Austrália, Gana e Sérvia também dominaram os seus grupos nas eliminatórias e ficaram entre os primeiros países a se classificar. Australianos e ganeses chegaram às oitavas-de-final quatro anos atrás e certamente querem mais na África do Sul, enquanto o talento da seleção sérvia nunca foi colocado em dúvida.
Os favoritos
Alemanha: A equipe do técnico Joachim Löw não é cabeça de chave à toa. Miroslav Klose, autor de sete gols, Michael Ballack e companhia mostraram do que são capazes nas eliminatórias, com uma campanha segura e objetiva no Grupo 4, para o azar da Rússia de Guus Hiddink, que acabou fora do torneio. Tendo em vista também a caminhada aparentemente fácil até a decisão da Euro 2008, pode-se esperar mais uma exibição de classe da tricampeã mundial.
Correndo por fora
Gana: Como primeira seleção africana a se classificar para a competição de 2010 e única representante do continente a alcançar a fase de mata-mata na última edição da Copa do Mundo da FIFA —quando fez uma impressionante estreia no torneio —, Gana merece atenção. A equipe do técnico Milovan Rajevac passou sem dificuldades pela última fase das eliminatórias africanas, levando apenas um gol e perdendo somente uma vez, quando a vaga já tinha sido conquistada. O meio-campo formado pelo trio Michael Essien, Sulley Muntari e Stephen Appiah faz de Gana uma seleção à altura de qualquer adversário.
Sérvia: A equipe de Radomir Antic foi a última a ser sorteada no Grupo D, mas é um rival a ser levado a sério. Os sérvios superaram a França na liderança do grupo nas eliminatórias e ganharam o direito de participar pela primeira vez da competição como nação independente ao atropelarem a Romênia por 5 a 0. Qualquer seleção que tenha jogadores talentosos como Nemanja Vidic, Dejan Stankovic e Milan Jovanovic merece respeito. Acrescente a isso a experiência de um país com dez participações na Copa do Mundo da FIFA (como Iugoslávia e depois como Sérvia e Montenegro) e o que se tem é uma zebra em potencial.
Austrália: Os Socceroos levaram 32 anos para retornar ao palco mundial após a primeira aparição, em 1974. Mas quatro anos depois da impressionante participação sob o comando de Hiddink, na Alemanha, os australianos conseguiram um regresso rápido ao principal torneio do futebol mundial. Dirigida desta vez por outro perspicaz técnico holandês, Pim Verbeek, a pragmática e obstinada seleção decidiu abandonar a disputa na Oceania e avançou com facilidade na sua estreia nas eliminatórias asiáticas, terminando à frente do Japão na última fase.
Fique de olho
Miroslav Klose (GER), Tim Cahill (AUS), Matthew Amoah (GHA), Michael Essien (GHA), Milan Jovanovic (SRB), Marko Pantelic (SRB)
Jogo destacado
Gana x Austrália: Como a seleção australiana vai estrear contra a Alemanha, esse confronto será crucial para as ambições dos Socceroos, que, assim como Gana, certamente estarão de olho na segunda posição. Será um jogo que os africanos também não vão querer perder, já que terão de encarar os alemães na última rodada.
Retrospectiva
Austrália x Alemanha Ocidental, 18 de junho de 1974: O Volksparkstadion de Hamburgo foi o palco do encontro entre as duas seleções na Copa do Mundo da FIFA Alemanha 1974. Era a segunda partida da fase de grupos e, talvez como esperado, os anfitriões venceram os estreantes da Oceania por 3 a 0. Wolfgang Overath, Bernd Cullmann e Gerd Müeller marcaram para o selecionado germânico, que mais à frente se tornaria campeão.
O número
4. A Alemanha já enfrentou quatro disputas de pênaltis na Copa do Mundo da FIFA, vencendo todas elas.
Você sabia?
O goleiro australiano Mark Schwarzer nasceu em Sydney, mas os seus pais são alemães. Além disso, ele jogou pelo Dínamo de Dresden e pelo Kaiserslautern após ter deixado o seu país natal para tentar a sorte na Europa.
A pergunta
Nenhuma seleção europeia jamais conseguiu conquistar a Copa do Mundo da FIFA fora do próprio continente. Será que Alemanha ou Sérvia serão capazes de quebrar esse tabu e fazer história?





















0 comentários:
Postar um comentário